NME, março de 2011

Com a estréia do 4º album dos Arctic Monkeys marcada para junho, Dan Martin conversou com Matt Helders e descobriu que existe uma atmosfera suave depois da dureza do 3º disco.

Apenas uma semana atrás e sem nenhum conhecimento dos fãs, Arctic Monkeys discretamente lançou uma nova música, a direta “Brick By Brick”, em seu website. O estilo dessa estréia foi tipicamente despreocupado, salvo o capítulo seguinte dessa jornada.

Dias depois, era oficial: após o maior intervalo entre albums na curta carreira da banda, junho será o mês que vai ver a revelação do próximo disco da banda, “Suck It and See”.

“Você não pode realmente se basear em ‘Brick By Brick’, diz o baterista e estilista residente da banda, Matt Helders. “Essa música é mais uma diversão. Obviamente não acontece muita coisa, quanto à letra, e isso é um pouco diferente pra gente. Pareceu divertido, e quando tivemos essa idéia, eu não sei o quão sérios nós estávamos sobre ela estar no album. Nós só pensamos que seria um bom motivo de risada fazer isso.”

“Existem músicas como essa, que são diversão. Mas tem outras mais sérias – não quanto ao assunto da música, mas com um pouco mais de seriedade quanto à composição. Mas no geral, as músicas são um pouco mais instantâneas. Um pouco mais pop, certamente mais do que o Humbug foi.”

Essas palavras irão levar alívio a muitos fãs. Alguns ainda colocam o 3º album da banda em um pedestal, mas ele certamente polarizou opiniões. O album pedia mais ao ouvinte, graças ao crescimento estilístico que a banda precisava, e isso levou as pessoas a precisarem de músicas mais instantâneas, como “A Certain Romance” e “Fluorescent Adolescent”.

“Nós sempre vamos a outros lugares (na sonoridade) conscientemente,” diz Matt. “‘Humbug’ foi exatamente isso, e não nos arrependemos, obviamente. Mas desta vez a situação é completamente diferente. É a primeira vez que James (Ford, produtor) fez tudo, do início ao fim. O modo como fizemos o album foi diferente, pesquisando por eras e gravando uma música por dia. Isso tornou tudo muito divertido, nós só gravamos as 12 músicas que estão no album. Com o ‘Humbug’ nós gravamos 25 músicas e selecionamos depois. Dessa vez, tivemos uma idéia clara de para onde iríamos, antes de entrar no estúdio.”

Depois do ‘Humbug’, a banda teve seu maior descanso até hoje. Enquanto Alex fazia a trilha sonora do filme de Richard Ayoade, Submarine, Matt foi forçado a descansar depois de quebrar o braço praticando box, precisando colocar uma placa de metal no braço. Depois de muita preocupação se seu modo de tocar seria afetado, ele está com a saúde restaurada e a banda está viva de novo.

Com Alex se mudando de Nova York, os Arctics gastaram a 2ª metade do ano passado preparando o album em Londres antes de acamparem em LA com James. Lá, eles gastaram seu tempo fora do estúdio na estrada, ouvindo Black Sabbath em rádios californianas de rock.

Matt: “LA definitivamente faz isso com você. Até dirigir em algumas estradas por aí faz você querer ouvir aquelas grandes canções de rock e coisas assim. O nosso entorno certamente influenciou o que ouvíamos.”

Enquanto ‘Humbug’ viu a banda numa tentativa de fazer esse rock (comentado por Matt), ‘Suck It and See’ parece muito mais divertido, talvez o mais ‘Arctic Monkeys’ de todos os albums dos Arctic Monkeys. Certamente, as brincadeiras com palavras de Alex estão em ‘The Hellcat Spangled Shalalala’ e ‘Love Is A Laserquest’.

“A ‘The Hellcat Spangled Shalalala’ não é tão louca quanto parece,” diz Matt. “Alex sempre foi um contador de histórias, mas eu acho que no último album ele tentou diluir isso em algo com mais mistério. O termo ‘hellcat’ é algo que alguém tem que pensar, não é um termo do dia-a-dia que todos usam. Dessa vez você vai ter que pensar no que isso significa pra você, ao invés de alguém jogar tudo mastigado. Eu acho que isso torna tudo mais interessante.”

Até o título é deliberadamente vago. Ele poderia ser lido como um link direto para o ‘Humbug’. Poderia ser lido como algo sexual e bruto. “Nós gostamos da ambigüidade dele,” explica Matt. “Pra nós, soa como uma coisa tipicamente britânica. Eu não acho que é algo que as pessoas usam ou entendem, no mundo todo. Na América, as pessoas provavelmente irão interpretar como rude. O que é bom, é bastante engraçado.”

Então, com o album feito e batizado, eles só tem que pensar sobre os negócios que envolvem a artwork do album, os singles e os vídeos, antes que o próximo capítulo na história de uma das bandas mais eletrizantes comece propriamente. Então, como Matt descreveria o album em uma sentença?

“É gostoso pra gente e pro ouvinte. E talvez seja mais fácil de ouvir. Não totalmente fácil, mas com algumas músicas mais pop. Mas de um jeito interessante. Isso é o que nós sempre tentamos fazer. Música pop, uma canção chiclete, mas de um jeito interessante. Isso não foi uma sentença, foi?”